21/10/2021 às 10h05min - Atualizada em 21/10/2021 às 16h01min

Orquestra de escola pública de Porto Alegre interrompe atividades por falta de verba

Secretaria Municipal da Educação não renovou contrato que financiava oficinas de música para alunos da Escola Villa Lobos, na Lomba do Pinheiro....

Folha RS
https://folhars.com.br/noticia/3951/orquestra-de-escola-publica-de-porto-alegre-interrompe-atividades-por-falta-de-verba.html
Secretaria Municipal da Educação não renovou contrato que financiava oficinas de música para alunos da Escola Villa Lobos, na Lomba do Pinheiro. Prefeitura afirma que editais serão lançados para contemplar projetos do tipo. Orquestra em escola da periferia de Porto Alegre interrompe atividades

Um projeto sociocultural realizado em uma escola municipal da periferia de Porto Alegre interrompeu suas atividades por falta de financiamento. A Orquestra Villa Lobos, que funciona na instituição que leva o nome do compositor, teve seu convênio com a prefeitura da Capital encerrado em abril de 2020. Desde então, as atividades estão prejudicadas, afirma a coordenadora da iniciativa.

Segundo a professora Cecília Rheingantz Silveira, regente da orquestra, a não renovação do convênio faz com que 20 educadores, que atuam em atividades pedagógicas, não recebam salário. Cerca de 300 crianças e adolescentes são atendidos pelo projeto. Veja vídeo acima.

"São várias pontas que estão sendo prejudicadas. A ponta primeira é de todo o programa de educação musical, que é o que sustenta, é a base deste trabalho", diz.

A Secretaria Municipal da Educação (SMED) afirma que "o convênio da Prefeitura com a orquestra foi suspenso, em função da pandemia, mas também por questões jurídicas contratuais".

A pasta ainda sustenta que editais serão lançados na área de Cultura e Educação, a fim de que projetos como a orquestra possam participar. Já a Secretaria Municipal da Cultura (SMC) diz que há a previsão de lançamento de quatro editais neste ano.

Músicos da Orquestra Villa Lobos, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre

OVL/Divulgação

De acordo com Cecília, a organização jurídica do convênio não seria um empecilho para a manutenção das atividades da orquestra. São necessários R$ 50 mil mensais para custear os salários dos educadores e o material pedagógico.

"Nós nos adaptaríamos às questões solicitadas pela mantenedora. Só que essa situação acabou se prolongando por muito tempo. A orquestra, desde que ficou desassistida pelo poder público, tratou de andar pelas próprias pernas, com financiamento coletivo, admiradores com potencial de nos ajudar", relata a regente.

Atualmente, um suporte do Ministério da Relações Exteriores da Alemanha é o que garante fôlego ao projeto. A verba é destinada para que 20 músicos do grupo artístico consiga ensaiar e se apresentar, mas não pode ser usada para pagar professores, por exemplo.

Para os educadores e alunos, o período sem atividades representa uma perda no aprendizado. As irmãs Eriadny e Naômily Borba são exemplos. Enquanto a primeira se tornou professora da orquestra, a mais nova é uma das jovens atendidas pela iniciativa. Veja vídeo abaixo.

"A gente foi de ter aula toda a semana para não ter mais, por meses. Isso acaba tendo uma diferença enorme, porque a gente acaba não estudando mais do jeito que a gente estava estudando", lamenta Naômily, que toca violino.

Irmãs, aluna e professora falam de interrupção de atividades em orquestra de Porto Alegre

Histórico e impactos

A Orquestra Villa Lobos foi fundada em 1992, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Heitor Villa Lobos, na Vila Mapa, no bairro Lomba do Pinheiro. Atualmente, além da instituição, as aulas são oferecidas em outros três pontos do bairro. O projeto já realizou 1,3 mil apresentações em 60 cidades do Brasil e do Mercosul, segundo a coordenação.

Conforme a professora Cecília Rheingantz Silveira, o convênio com o município não foi renovado em abril de 2020, no início da pandemia de Covid-19. O orquestra tentou reverter o quadro, sem sucesso, mas ainda assim, conseguiu apoio em vaquinhas. Já em 2021, a coordenadora disse que retomou as tratativas com a atual gestão, dialogando com a SMED.

Em outubro, se esgotaram os recursos que financiavam as atividades pedagógicas de formação musical. A regente, servidora pública municipal, conta com o apoio dos educadores, que não têm vínculos com a prefeitura e recebem salários por um contrato regido pela CLT.

Dos 20 professores, 13 foram formados dentro da Orquestra Villa Lobos. Uma delas é Eriadny Borba, que iniciou sua formação há 16 anos e dá aulas de flauta doce.

"Eu venho deste projeto social e eu sei quanto é importante na nossa vida ter esta oportunidade. É um ensino musical de qualidade, além de todo acolhimento que a gente recebe", conta.

Atividades artísticas, manutenção de espaço ou compra de instrumentos eram custeados com recursos doados, diz a regente.

Atividade realizada pela Orquestra Villa Lobos

OVL/Divulgação

A professora Cecília Rheingantz Silveira ressalta que a orquestra é sustentada por um tripé: educação, cultura e arte e inclusão social.

"Vai muito além do domínio da uma leitura de partitura ou de uma técnica específica de um instrumento. É todo um trabalho que é feito e que abrange a formação integral dessas crianças", observa.

A Orquestra Villa Lobos publicou uma carta aberta à comunidade de Porto Alegre relatando a situação. Confira abaixo.

Carta aberta da Orquestra Villa Lobos sobre fim de convênio com a prefeitura

Reprodução/Facebook

Fonte: https://folhars.com.br/noticia/3951/orquestra-de-escola-publica-de-porto-alegre-interrompe-atividades-por-falta-de-verba.html
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