13/05/2022 às 16h55min - Atualizada em 13/05/2022 às 16h55min

Mulher que trabalhava há 72 anos sem salário e descanso é resgata por trabalho escravo

É o caso de trabalho escravo mais longo da história contemporânea do Brasil

SBT News
Getty imagens

Apesar da escravidão ter sido abolida em 1888, pessoas ainda vivem em condições análogas a escravidão no país. É o caso de uma mulher, de 85 anos, resgatada depois de trabalhar para uma mesma família há 72 anos. 

A senhora trabalhou para a mesma família por três gerações, todos os dias, sem descanso e sem salário. 

Os pais da vítima moravam na fazenda de Geraldo e Yvone Mattos Maia, em Vassouras, interior do Rio, onde a menina cresceu. Com 12 anos, ela se mudou para a casa do casal, e começou a prestar serviços domésticos. Quando o casal faleceu, a vítima se mudou para casa dos filhos de Geraldo e Yvone, onde continuou exercendo os mesmos serviços. Ela estava na atual residência de André Mattos Maia, filho do casal, no Cachambi, quando foi resgatada. 

De acordo com informações da Assistência Social da Prefeitura do Rio, a vítima nunca soube o que a vida poderia ter lhe proporcionado. Não namorou, estudou e nem teve oportunidade de constituir uma família.

Nascida em 12 de outubro de 1963, ela foi libertada somente no dia 15 de março deste ano. Cristiane Lessa, diretora da central de idosos da Secretaria Municipal de Assistência Social, relatou que ela não tem qualquer noção de que era escrava durante todos esses anos.

Segundo informações do Ministério do Trabalho e Previdência, essa foi a exploração mais longa de uma pessoa, em situação de escravidão contemporânea no país, desde que o Brasil criou um sistema de fiscalização para enfrentar esse tipo de crime, em maio de 1995. 

“Você não diga que trabalhou para a minha mãe”, teria ameaçado o patrão.

Segundo a psicóloga Yasmin França, as vítimas se preocupam com o “patrões” e muitas vezes pedem para voltar para as casas. A profissional relata que isso é comum, porque é o único convívio social que a vítima conhece.

Segundo o Ministério do Trabalho e Previdência, em 2022, cinco mulheres  já foram resgatadas do trabalho escravo doméstico nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraíba, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Há outras ações em andamento.

 

 


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